sábado, 12 de outubro de 2013

Murillo clama pela morte



Poderia ter recusado a tomar aquele remédio ter morrido doente.
Deveria não ter incentivado animo enquanto morria na cama;
Queria não ter tido esperanças enquanto havia clímax de vida.
Agora clamo a ti morte! 
Leva-me!
Gostaria de partir daqui a golpes de foices,
Há, se soubesses o quanto espero por ti?  
Ceifeira minha! 
A Minh ‘alma estar aqui prostrada e sem esperanças. 
Há espera das tuas garras prontas a agarrar-me pelas pernas, espero por ti!
Arrasta-me pelas mãos, morte? 
Aonde anda você agora?
O amor que tenho cá; desmereço, e mereço partir de cá!
Abandonei meus amigos, hoje sou um desertor sem honra e sem pátria!
Recorro à lendária morte dos cristãos, porquanto Zeus me abandonara agora impedindo que impiedoso e sedento Ades; mande seus subordinados buscar o seu troféu.
Sou a vergonha do meu deus Ares o quanto o venerava a cada batalha vencida. O quanto desejava as maravilhosas ninfas, deitar-me-ia com todas, até que aquela maldita arrebatasse o meu coração.
Parece praga da deusa Afrodite, para que eu voltasse para o útero da mãe geia e sumisse no esquecimento dos tempos...

Amandio Sales
Trechos do meu livro Alma nua